O frio chegou sem pedir licença,
silencioso, ocupando os espaços da casa
e também aqueles cantos da alma
que a correria dos dias costumava esconder.
Na janela, a neblina desenha lembranças,
rostos, vozes, abraços que o tempo levou.
A saudade, companheira das noites mais longas,
senta-se ao lado e conversa baixinho com o coração.
É curioso como o frio nos convida a olhar para dentro.
Enquanto o mundo desacelera lá fora,
a vida passa diante dos olhos
como um filme feito de encontros, despedidas e aprendizados.
Percebemos então que nada permanece igual:
as estações mudam, os caminhos mudam,
as pessoas seguem seus destinos
e nós seguimos colecionando memórias.
Algumas aquecem como um cobertor antigo,
outras doem como vento cortante na madrugada.
Mas todas ajudam a construir quem somos,
entre perdas, recomeços e esperanças.
E talvez seja essa a beleza da vida:
ser breve o bastante para nos ensinar o valor dos instantes,
e profunda o bastante para transformar saudade em amor,
mesmo quando resta apenas a lembrança.
No frio das ausências, aprendo que o tempo não apaga.
Ele apenas transforma a dor em silêncio,
e o silêncio em uma forma delicada de eternidade.
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